Da rua para as escolas. As ruas falam.

Uma história de inclusão que transpõe barreiras e os limites do preconceito.

Tudo começou dentro de uma sala de aula

Airton Schirmer, atual presidente e idealizador da Vida Breve, construiu sua trajetória profissional como professor de matemática. Foi através de sua empatia e motivação em ajudar o próximo que, em plena sala de aula, deu-se o início de uma história de entrega e dedicação que se transformou na ONG Vida Breve.

Em suas aulas, Airton não adotava o chamado espelho de classe, onde os alunos se colocam em fila. Preferia, mesmo que por apenas um período, dispor a turma em “U” para que todos pudessem se ver e para que pudesse circular entre eles. Dessa forma, além das aulas serem mais divertidas, fluíam melhor, privilegiando o trabalho em equipe e anulando possíveis subgrupos.

Em uma de suas aulas, enquanto passava exercícios no quadro, alguns alunos jogavam-se ao chão e começavam a fazer piruetas de Hip Hop, aproveitando o amplo espaço no meio da sala. Quando o professor voltava os olhos para a turma, todos corriam para seus lugares enquanto os demais fingiam prestar atenção. Após algumas tentativas sem sucesso para dar continuidade na aula de cálculos, um acordo entre as partes foi a solução do impasse: formar um grupo de Hip Hop com aulas práticas sobre geometria, noções de espaço, ponto, reta e plano, onde as avaliações seriam implícitas.

Inicialmente, a maioria dos alunos não entendeu muito bem, mas aceitaram a proposta. O resultado? Aquele ano letivo foi extremamente positivo!

Airton Schirmer - ONG Vida Breve

Projeto Aprendizes

A adesão foi tanta que os alunos continuavam a ensaiar nos horários de recreio. Essa movimentação seguiu e, muitas vezes, precisou transpor algumas barreiras burocráticas impostas pela própria escola. Afinal, a ação estava se desenvolvendo num dos bairros com um dos maiores índices de violência do município e, infelizmente, havia muito preconceito com o Hip Hop.
Apesar das dificuldades, os excelentes resultados obtidos possibilitaram que o projeto continuasse e se tornasse ainda maior. Com a inclusão de alunos de séries diversas e de ambos os turnos, avanços foram conquistados, tais como:
– Os ensaios foram transferidos para o barracão da comunidade e fora do horário escolar;
– Uma parceria com a Associação de Bairro e a negociação de horários com a diretoria da igreja mantenedora do barracão;
– Início de um trabalho de voluntariado e de prevenção da violência;
– Educação “pós-escola” e em nível de comunidade;
– Combate à discriminação racial.
Com o tempo, crianças sem idade escolar, ex-alunos da escola, adolescentes, jovens e adultos, inclusive de outros bairros, passaram a fazer parte do grupo de dança, atraindo pais e demais familiares a também assistirem ou participarem de alguma forma. Foi então que o projeto passou a pertencer à comunidade e tornou-se ONG.

A ONG Vida Breve, hoje, vai além das fronteiras da cidade de Taquara. Alcança outros municípios, vizinhos ou distantes, onde regularmente é chamada para apresentações, oficinas ocasionais e palestras sobre seus objetivos e sua metodologia.

Vida Breve, mas não em vão!

Às 23h do dia 17 de Agosto de 2007, uma fatalidade na RS 115 levou a Jheny – formanda do ensino médio – 16 anos, para sempre, e mudou a trajetória da vida da família Schirmer.
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Em função da ida de sua filha e ex-aluna querida para junto de Deus, Airton se afastou das atividades de professor por um tempo e foi buscar refúgio em uma Escola de periferia, com outra função. Embora seja professor de Matemática habilitado, o acordo era trabalhar no laboratório de Informática e afastado do contato direto com alunos.

Mas dentro do primeiro semestre de 2009, em função da desistência de quatro professores devido ao fator comportamental dos alunos, acatou o pedido da Escola e voltou a lecionar matemática em sala de aula. Foi nesse contexto que recomeçou esta trajetória tão valorosa para a cidade de Taquara, idealizada e posta em prática pelo Professor Airton e sua família, e carinhosamente batizada de VIDA BREVE.

Nossos Objetivos

  • Praticar a Inclusão Social;
  • Trabalhar na prevenção a violência e ao uso de drogas;
  • Fortalecer a auto-estima;
  • Incentivar o comprometimento, a solidariedade e o trabalho em equipe;
  • Trabalhar em parcerias e fortalecer valores;
  • Formar Multiplicadores;
  • Reduzir o índice de evasão escolar;
  • Diminuir os atos de discriminação racial;
  • Instituir Projetos de Vida;
  • Possibilitar a formação de pessoas e por consequência, comunidades melhores.
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